https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43312| Tipo: | Dissertação |
| Título: | Entre o cuidado e a violência obstétrica: uma análise das experiências de mulheres grávidas e puérperas custodiadas na unidade materno infantil do Centro de Recuperação Feminino de Ananindeua-Pa |
| Título(s) alternativo(s): | Between care and obstetric violence: an analysis of the experiences of pregnant and postpartum women in custody at the maternal and child unit of the female recovery center of Ananindeua, Pará |
| Autor(es): | Barbosa, Louise Borges |
| Primeiro Orientador: | Lourenço, Luiz Cláudio |
| metadata.dc.contributor.referee1: | Lourenço, Luiz Cláudio |
| metadata.dc.contributor.referee2: | Santos, Denise Santana Silva dos |
| metadata.dc.contributor.referee3: | Moore, Hollis |
| Resumo: | Dentre as facetas que abarcam a temática da violência contra as mulheres, destaca-se aquela vivenciada na conjuntura do parto e nascimento, denominada “violência obstétrica”. As formas de manifestação e naturalização deste tipo de violência nos levam a ponderar uma realidade nacional do parto e do nascimento preocupante, uma vez que pesquisas recentes mostram que suas taxas de acometimento são altíssimas, atingindo 1 em cada 4 mulheres (ABRAMO, 2010). Ao direcionarmos essas perspectivas para as condições do encarceramento feminino, podemos vislumbrar que o tema da gravidez e maternidade atrás das grades gera importantes reflexões nas Ciências Sociais e áreas afins. Em face do exposto, a presente dissertação objetiva compreender as experiências de cuidado e violência obstétrica de mulheres grávidas e puérperas custodiadas na Unidade Materno Infantil (UMI) do Centro de Reeducação Feminino de Ananindeua-PA. Buscou-se com os objetivos específicos, identificar a assistência ofertada pelas equipes multidisciplinares de saúde e de policiais penais às mulheres grávidas e puérperas no cárcere; conhecer as narrativas de mulheres grávidas e puérperas acerca do processo de parto e nascimento no cárcere; e caracterizar as expressões de cuidado e possíveis práticas de violência obstétrica presentes no período gravídico e puerperal de mulheres acolhidas na UMI. Para tanto, durante o percurso metodológico, utilizou-se a abordagem qualitativa por meio de entrevistas semiestruturadas, observação direta e diário de campo. As narrativas de 06 (seis) mulheres internas compuseram a amostra e os dados coletados foram tratados segundo a técnica de análise de conteúdo, resultando em 06 (seis) categorias temáticas que apontaram para a existência de uma estrutura arquitetônica propícia ao acolhimento das particularidades da fase gravídica e puerperal. No entanto, foram identificadas violações na retaguarda às demandas de saúde obstétrica e neonatal, se pensadas a partir dos ditames constitucionais, legislações e convenções internacionais de proteção aos Direitos Humanos desse segmento. Os registros de campo indicaram que os avanços significativos em âmbito regional a partir do pioneirismo dessa UMI no Norte do Brasil não esvaziam as dimensões da violência obstétrica nesse cenário, ao contrário, o fenômeno apresenta novas imbricações intramuros por meio das suas características físicas, sexuais, psicológicas e institucionais. As ambiguidades entre a violência e o cuidado, como resultado inusitado, transitavam nas relações cotidianas não só entre as colegas de confinamento, como também com funcionários do presídio. Por fim, a articulação de políticas públicas ainda se revela um grande desafio para assegurar a garantia da humanização na assistência à saúde de apenadas em situação de gravidez, puerpério e dos bebês que ficam consigo durante o aleitamento materno, o que torna a privação de liberdade, nas especificidades de gênero, mais desgastante e danosa das vivenciadas por homens. |
| Abstract: | Among the facets that encompass the theme of violence against women, the one experienced during labor and birth, called “obstetric violence”, stands out. The forms of manifestation and naturalization of this type of violence lead us to consider a worrying national reality of labor and birth, since recent research shows that its rates of occurrence are extremely high, affecting 1 in 4 women (ABRAMO, 2010). By directing these perspectives to the conditions of female incarceration, we can see that the theme of pregnancy and motherhood behind bars generates important reflections in the Social Sciences and related areas. In view of the above, this dissertation aims to understand the experiences of care and obstetric violence of pregnant and postpartum women held in custody at the Maternal and Child Unit (UMI) of the Female Reeducation Center of Ananindeua-PA. The specific objectives of this study were to identify the care provided by multidisciplinary health teams and prison police officers to pregnant and postpartum women in prison; to understand the narratives of pregnant and postpartum women about the process of labor and delivery in prison; and to characterize the expressions of care and possible practices of obstetric violence present in the pregnancy and postpartum period of women admitted to the UMI. To this end, during the methodological path, a qualitative approach was used through semi-structured interviews, direct observation and field diary. The narratives of 06 (six) female inmates comprised the sample and the data collected were treated according to the content analysis technique, resulting in 06 (six) thematic categories that pointed to the existence of an architectural structure conducive to welcoming the particularities of the pregnancy and postpartum phase. However, violations were identified in the context of obstetric and neonatal health demands, if considered based on constitutional provisions, legislation and international conventions protecting the Human Rights of this segment. Field records indicated that the significant advances at the regional level since the pioneering work of this UMI in the North of Brazil do not diminish the dimensions of obstetric violence in this scenario; on the contrary, the phenomenon presents new intramural imbrications through its physical, sexual, psychological and institutional characteristics. The ambiguities between violence and care, as an unusual result, permeated daily relationships not only between fellow inmates, but also with prison staff. Finally, the articulation of public policies still proves to be a great challenge to ensure the guarantee of humanization in the health care of inmates in situations of pregnancy, postpartum and of babies who stay with them during breastfeeding, which makes the deprivation of liberty, in gender specificities, more exhausting and harmful than that experienced by men. |
| Palavras-chave: | Violência obstétrica Mulheres encarceradas Estudos prisionais |
| CNPq: | CNPQ::CIENCIAS HUMANAS |
| Idioma: | por |
| País: | Brasil |
| Editora / Evento / Instituição: | Universidade Federal da Bahia |
| Sigla da Instituição: | UFBA |
| metadata.dc.publisher.department: | Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH) |
| metadata.dc.publisher.program: | Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais (PPGCS) |
| Tipo de Acesso: | Acesso Aberto |
| URI: | https://repositorio.ufba.br/handle/ri/43312 |
| Data do documento: | 20-Set-2024 |
| Aparece nas coleções: | Dissertação (PPGCS) |
| Arquivo | Descrição | Tamanho | Formato | |
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| Louise Barbosa. Dissertação.pdf | 6,58 MB | Adobe PDF | Visualizar/Abrir |
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